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História
da banda
No século XIX a indústria brasileira ainda era muito
atrasada. Dá pra imaginar então como era no sertão
da Bahia. As pessoas com suas culturas de subsistência levavam
uma vida muito simples. Qualquer produto industrializado, por
mais simples que fosse, chegava ao sertão nas tropas de
burro vindas de localidades onde passava o trem de ferro. Neste
trem eles embarcavam os produtos levados do campo, fumo, toucinho
e outros, e recebia produtos industrializados vindos das capitais
ou do exterior.
No
município de Vitória da Conquista, num lugarejo
chamado Amargoso morava parte dos meus ancestrais. Num certo dia,
no retorno de um tropeiro ao sertão, a tropa parou em frente
à casa do avô do meu avô, Exídio José
dos Santos, o véi Gido. Este recebeu das mãos do
viajante um embrulho, entrou em casa e chamou a sua filha, minha
bisavó Rita. “Ta aqui o seu presente”, disse
a ela que saiu saltitante de alegria.
Aquele
sertanejo de vida simples não teve noção
do bem que ele causaria a toda sua descendência. A riqueza
cultural que ele provocou com aquele simples ato foi tão
intensa que hoje, cento e vinte anos depois, eu me beneficio não
só cultural como também economicamente da onda por
ele provocada. Minha bisavó foi quem menos aproveitou o
presente, a coitada morreu de parto aos dezenove anos de idade.
Bem, voltando ao Amargoso, encontramos a menina Rita pulando de
alegria ao abrir o presente. Ganhara do pai uma sanfona de oito
baixos.
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